Este é um projecto registrado de preservação da alma dos campinos e dos relatos que moldaram a nossa identidade. Conheça o legado de quem viveu em silêncio.
O Ribatejo não é apenas uma região; é um estado de espírito forjado entre a cheia e a seca.
Ser Maioral na Lezíria Ribatejana sempre foi mais do que uma profissão — foi uma prova de resistência. Durante séculos, estas planícies foram domadas pelo pulsar do rio Tejo, criando ciclos de isolamento onde homens e animais aprenderam a falar a mesma língua.
Aqui, o relento era a cama ea sua montada, a única companhia na solidão dos campos. Nesta terra de provações, o caráter de um homem media-se pelo respeito ao gado bravo e pela palavra dada. Mas o progresso silencioso e a modernidade apressada estão a apagar os rastos destas botas na lama.
O projeto ‘Os Últimos dos Maiorais’ mergulha nesta herança etnográfica para resgatar não só os factos, mas o sentir de uma era que está a desaparecer.
A verdade da terra e das pessoas em vídeo. Onde as palavras não bastam, o documentário dá voz e rosto à tradição. Através de imagens cinematográficas e testemunhos inéditos de campinos e maiorais (com idades entre os 65 e 97 anos), levamos ao ecrã o pulsar real do Ribatejo. Não esquecendo as suas mulheres e filhos que em silêncio abraçam igualmente esta arte. É uma viagem sensorial pela lida, pelo silêncio do campo e pela bravura de quem viveu com o pé no estribo. Um registo visual necessário para que o mundo conheça a verdade de quem moldou a nossa identidade.
Um registo histórico e manifesto cultural. Este não é apenas um livro; é um manifesto etnográfico fruto de muita investigação e escuta das vozes de quem sabe. "Homens do Relento" resgata as faces, os nomes e a sabedoria dos guardiões da Lezíria. Das artes do couro ao manejo do gado bravo, cada página é um esforço contra o esquecimento, imortalizando em papel o porte sublime de homens que, como o Sr. Mimoso, fizeram da honra o seu maior legado.
Exposições e encontros para manter a cultura pulsante. A nossa visão vai além das estantes. O Museu Vivo é o compromisso de criar um espaço dinâmico de preservação e encontro. Mais do que contemplar o passado, este será um lugar de experiências interativas, demonstrações práticas de ofícios em extinção e um arquivo oral acessível às novas gerações. É o lugar onde a memória do Ribatejo deixa de ser uma saudade para se tornar um legado vivo e presente.
Para que o documentário, o livro e a recolha de testemunhos aconteçam, precisamos da comunidade.
O seu apoio direto financia a preservação destas histórias.
Caso prefira contribuir de forma direta ou encontre alguma dificuldade no envio através do portal da GoFundMe, poderá fazê-lo via IBAN:
PT50 0035 0250 0000 6490 3006 9 (Maria Teresa Silvestre Rodrigues da Silva) – (Indique, por favor, na descrição: Doação – Os Últimos dos Maiorais)
Por trás de “Os Últimos dos Maiorais”, bate o coração de quem cresceu a ouvir o silêncio da lezíria.
Teresa Silva não é apenas a mentora deste projeto; ela é a guardiã de uma história que começou no balanço das palavras e no som da Rádio Cartaxo. Foi lá, no programa “Ribatejo Pitoresco”, que esta missão deu os primeiros passos: o seu pai, um dos últimos verdadeiros Maiorais, era o produtor e escrevia os textos que Teresa, com a sua voz, entregava ao mundo.
Filha de um homem de porte sublime e trato fino, e de uma mulher cravada de silêncios e agonias, mas também uma fortaleza inigualável, Teresa cresceu a ver no pai a coragem daqueles que fizeram do campo o seu altar e do gado bravo o seu destino. Mas o verdadeiro impulsionador surgiu num momento de profunda verdade. O seu pai confessou-lhe: “antes que eu morra gostava de deixar uma última e digna homenagem aos meus colegas, à arte da campinagem e ao Ribatejo que tanto amo”.
Assim, em Junho de 2025, o que era uma conversa de rádio tornou-se uma missão de vida. “Os Últimos dos Maiorais” é a resposta de uma filha a um pedido final. É o esforço de trazer para a luz a sabedoria daqueles que viveram com o “pampilho ao alto”, garantindo que as próximas gerações saibam quem fomos, para que nunca esqueçam quem somos. O desejo dela é que o seu pai e mãe e todos os homens e mulheres que fazem parte desta história possam ser homenageados em vida e possam ver este projecto de pé.
Que memória do Ribatejo gostaria de ver preservada?
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